Alunos da zona rural são abandonados pelo transporte público em São Bento do Una

Postado por Jornal Tribuna do Agreste
05 de Junho de 2010

Conselho Tutelar constata irregularidades denunciadas pelo vereador Washington Cadete (PR), em relação ao sistema de transporte escolar com os alunos da Escola Estadual Lenita Fontes Cintra, em que os prestadores do serviço não estavam percorrendo integralmente as linhas contratadas, havendo alunos que percorrem quilômetros caminhando, sob alegação de não pretenderem colocar seus veículos em estradas esburacadas.
No encontro do vereador com os alunos e o diretor da escola, também foi relatado sobre a proibição de alguns motoristas em transportar alunos da rede Estadual, afirmando que seus veículos, por orientação da administração pública, devem transportar os alunos da rede municipal. Ainda informaram que o contratado para realizar o transporte dos alunos que se deslocam da região do Gama, Armazém, Açude Novo, Fazenda Nova, Batalha e Gameleira, em algumas ocasiões, principalmente nos dias chuvosos ficam entregues à própria sorte no retorno, informando que o Gama é distante da sede do Município em aproximadamente 16 Km. “No contingente estudantil a grande maioria é de alunos menor de idade, assim, prestamos a informação que o município tem obrigação contratual para com o Estado de Pernambuco, para transportar o alunado da rede estadual apresentando, inclusive, documentos comprobatórios do pagamento realizado pelo governo do Estado de Pernambuco e a complementação do Governo Federal pelos programas PETE e PENAT”. Comentou Washington.
No entanto, por volta das 17:30h do mesmo dia (6 de maio), o vereador voltou a receber um comunicado de que o descaso se repetiu. “Havia nas proximidades entre a Rodoviária deste Município e o Colégio Estadual Lenita Fontes Cintra, cerca de 35 alunos, que residem na zona rural e estudam na sede do Município, informando que o motorista da linha de ônibus contratado pelo município, que conduz os mesmos no trecho das localidades denominadas de Gama, Açude Novo, Batalha, Armazém, Milho Branco e Gameleira para as escolas municipais, popularmente conhecido por “Laú” e o ônibus de propriedade de um popular conhecido por “Tunga”, recusou-se a levar os mesmos de volta aos seus locais de origem em razão das chuvas ocorridas no período da tarde. Na ocasião, os jovens presentes afirmaram no local, que já era a terceira vez que o fato ocorria, sendo obrigados os mesmos, para retornarem as suas residências, caminharem quilômetros, sem nenhuma assistência ou segurança”. Relatou o legislador.
Segundo informações do vereador do PR, dos 35 alunos envolvidos no último episódio, aproximadamente cinco eram de idades entre seis e onze anos, os outros entre doze e dezessete, todos alunos das escolas Colégio Estadual Lenita Fontes Cintra, Colégio Paroquial e Cônego João Rodrigues (mais conhecida por Agrícola).
Ainda com informações dos alunos, dos 35 alunos, uma média de outros 25 estavam no local, porém teriam ido andando. Os alunos acabaram sendo levados por um veículo, no qual o condutor se sensibilizou com a situação.
Diante de toda situação, requisitado um membro do Conselho Tutelar compareceu ao local, por volta das 18h, o Conselheiro Marcos André Muniz Barreto, que verificou estes últimos fatos narrados.
Inclusive, com a chegada do membro do Conselho, o próprio acompanhou outras reclamações como o ônibus que tem saído antes do horário de término das aulas, obrigando cerca de mais de 60 alunos se retirarem de sala de aula antes de seu término.
“O transporte escolar neste município, em regra geral, vem sendo realizado nas condições supramencionadas dias atrás, pessoalmente acompanhei a situação de alunos no retorno as suas residências no destino São Bento do Una/Tapera/Calunga, nos trechos vila da Maximina, Baraúna Quebrada, Logradouro e Pedra Comprida, constatando que alunos menores de idade são largados à margem da PE 180, por volta da 18:00 horas e caminham dois ou três quilômetros para atingirem suas residências, pela negativa dos contratados para adentrarem nas estradas vicinais. É do conhecimento público e notório, que estes veículos, na maioria, são desprovidos de condições mínimas para o transporte escolar, sem matrículas, assim em conseqüência sem vistorias, sem piso e cadeiras apropriadas, sem cinto de segurança, transportados alguns por motoristas inabilitados e por vezes com consumo de álcool colocando em risco toda a população estudantil”. Criticou o vereador Washington Cadete.
Após as constatações dos fatos o Conselho Tutelar encaminhou um relatório para a Câmara de Vereadores do Município e para o Ministério Público.

* Foto: Arquivo Pessoal. Legenda: Alunos se reúnem com legislador e revelam vários relatos em que são vítimas de desprezo pelo serviço de transporte público.

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