Resgatando a história por Antônio Oliveira: Um violão em silêncio
Postado por O Jornal03 de Janeiro de 2011
Pouco se tem conhecimento acerca dos primeiros anos de sua vida. A admiração que sinto por ele remonta à minha adolescência, quando, fascinado, assistia-o dedilhar as cordas do violão em acompanhamento aos grandes seresteiros da época.
Foi casado com Maria Anunciada Dornelas de Oliveira, de uma das mais conceituadas famílias da terra, tendo o casal os seguintes filhos: Mariluce, Valdete, Valderice, Antônio, João Eudes, José Antônio, Antônio Mário e Charles.
Funcionário da Secretaria de Agricultura do Estado, lotado no D. P. V. (Departamento da Produção Vegetal), exerceu aqui suas funções.
No início da década de 60, insatisfeito com a situação da política local, por intermédio do então vereador Arlindo Ferreira da Silva consegue transferência para a cidade de Agrestina. Exímio violonista, graças a sua arte logo granjeia a amizade de pessoas influentes da localidade, dentre as quais o futuro Desembargador Benildes Ribeiro e o dentista prático Hermógenes de Tal.
Mais tarde, após uma breve permanência em Cachoeirinha, torna a Lajedo, quando assume integralmente sua inclinação artística, negligenciando por completo seus deveres funcionais, pois, conforme costumava dizer em tom de caçoada: “Eu preciso é de um emprego, não de trabalho .”
Tungueira foi um autêntico boêmio na acepção da palavra; ele e Abiatar Guaraná (Abiatarzinho), amigos e companheiros inseparáveis de farras e serenatas, remanescentes de uma fase de romantismo e poesia que já não teria lugar dentro da avalanche de mediocridade que permeia a musicalidade de hoje.
Era bastante solicitado pelo meu xará, o Juiz de Direito Dr. Antônio Oliveira, pessoa simples e de bom gosto, que jamais declinou de uma noitada alegre ou de escutar uma música de qualidade.
As tertúlias musicais realizadas à noite das sextas feiras, em casa de Zezé Ferreira (Zezé do Cartório), tornaram-se inesquecíveis. Batizadas como “Clube dos Artistas”, por analogia a um famoso programa de televisão da época, lá compareciam, além de Tungueira, nomes de peso do nosso cancioneiro: seu irmão Abdias (também violonista), Abiatarzinho, Carlos Barros, Washington Medeiros, Joaquim Bezerra, Gláuber Leite, entre muitos outros.
Vencido por um câncer veio a falecer em 18 de Dezembro de 1979. Lutou, porém, até o fim. Já então debilitado, ainda atendia ao convite de amigos, alegrando festas e reuniões familiares com os acordes de seu precioso violão.
A Tungueira o nosso reconhecimento. Seu instrumento pode haver silenciado, entretanto a recordação dos momentos de enlevo que nos proporcionou permanece viva, indelével, testemunha de um tempo de encantamento que para sempre se foi.









