Resgatando a história, por Antônio Oliveira: Um engano histórico

Postado por O Jornal
16 de Maio de 2011
A História, a com “H” maiúsculo, está contaminada por equívocos. Para não fugir a regra, a nossa também possui os seus deslizes. Dentre eles o mais contumaz é aquele que nos faz festejar o 19 de maio como se fora a data de nossa independência política. Nada mais falso.
Lajedo alcançou sua autonomia em 24 de dezembro de 1948, após um processo que envolveu lajedenses ilustres como o escritor Antônio Vilaça, o médico Antônio Dourado, o tabelião José Firmino Burgos, entre outros. A “gota d’água” para a ruptura ocorreu quando o Dr. Dourado, numa eleição considerada fraudulenta, perde para seu opositor, Sr. Manuel Vidal, a prefeitura de Canhotinho. Na ocasião o governador do Estado teria prometido libertar o distrito da tutela canhotinense, o que realmente aconteceu.
Por solicitação do Professor Vilaça foi apresentado à Assembléia Legislativa, pelo deputado Heráclio do Rego, representante de Limoeiro, o projeto de emancipação. Aprovado, seguiu para sanção do governador Barbosa Lima, que o transformou na lei nº 377, de 24.12.1948. Estava, pois, criado o município de Lajedo, o menor em extensão territorial de todo o Estado de Pernambuco. Para seu primeiro prefeito foi designado o Sr. Guilhermino Virgulino de Sobral, pai de Antônio Vilaça.
Realizadas as eleições municipais em 8 de maio de 1949, sagrou-se prefeito o Sr. José Nonato de Oliveira (PSD), derrotando seu adversário, Sr. Francisco Cordeiro Magalhães (UND), pela marca de 204 votos.
Para a Câmara de Vereadores foram eleitos os Srs. Manuel Vieira de Melo, José de Andrade Amaral, Arlindo Ferreira da Silva, José Jordão Sobrinho, Adalberto de Castro Barreto, Clementino Francisco de Lima, Antônio Paulo Barbosa, Francisco Manuel de Torres e a Sra. Estefânia Costa Crespo.
Aí é que o 19 de maio entra em cena, pois foi a data escolhida para a posse dos eleitos, menos do Sr. José Nonato de Oliveira, que só assumiu em 5 de junho do mesmo ano. Pelo cargo de prefeito ficou respondendo o Sr. Adalberto de Castro, presidente do Legislativo.
Apesar do 19 de maio já ter seu lugar garantido nos anais cívicos, o vereador Arlindo Ferreira ainda encaminhou à Câmara uma moção instituindo-o como o “dia oficial” da nossa soberania, transferindo-se para a data todas as solenidades e festejos pertinentes. É o que vem se verificando até hoje.
Em maio, 19, acontece o aniversário de instalação da primeira Câmara de Vereadores eleita, não o de nossa independência. Mesmo assim foi preferido, em detrimento do 24 de dezembro, roubando a glória ao que até mais significativo seria, por tratar-se da véspera do Natal de Jesus Cristo.
O 24 de dezembro, coitado, anda tão esquecido que até a banda musical que o homenageia vive em penúria, existindo, apenas, uma singela via no bairro do Socorro (Rua 24 de Dezembro), para perpetuar-lhe a memória. Assim é a História.

Compartilhe esta notícia