Em nosso meio a chamada 7ª arte teve início com José Pereira de Carvalho e sua máquina quase primitiva, que projetava os filmes ainda silenciosos em uma acanhada telinha. As imagens moviam-se em ritmo acelerado ante nossos olhos fascinados.
Anos, muitos anos mais tarde, em 1947 ou 48, outro lajedense empreendedor, Francisco Cordeiro Magalhães (Chico Braz) associa-se a Manuel Firmino Burgos e, juntos, fundam a empresa Cordeiro & Burgos, inaugurando sua casa de espetáculos, o Cine-Theatro Santo Antônio, no mesmo espaço onde funcionara a antigo projetor de Zé Pereira: a sede da Associação 20 de Junho. Era uma sala estreita,
Nos dias atuais é comum afirmar que a juventude representa para qualquer sociedade, a sua força, constituindo a principal mola impulsionadora das transformações políticas, sócio-econômicas e culturais. Como disse a escritora cristã Ellen G. White: “Deus pede jovens de coração incorrupto, fortes, valorosos e determinados a combater varonilmente, na luta que se acha diante deles, a fim de glorificarem a Deus e beneficiarem a humanidade”.
Se algo tenho a dizer aos jovens lajedenses, nada mais seria se não as palavras de Carlos Drummond de Andrade:
desconfortável, de bancos duros, mas que proporcionou o encanto de toda uma geração.
O operador de máquina, Chico Tabosa, rapaz experiente, veio especialmente de Caruaru para dirigir a parte técnica, função que passaria a seguir para Adalberto Costa, que também era o autor dos cartazes que anunciavam os filmes em exibição, expostos em vários pontos da cidade, e locutor do serviço de alto-falantes da empresa, que funcionava num pequeno estúdio contíguo ao cinema. A locução contou ainda com a participação eficiente de Ricardo Correia de Menezes.
Existiu também um cidadão de Garanhuns, seu Esperidião, que focalizava suas películas em 16mm no Clube Diversional de Lajedo.
Foi uma fase de belos e inesquecíveis filmes que, apesar de chegarem atrazados, às vezes até em anos, fizeram o deleite dos cinéfilos da época.
Anos mais tarde o Cinema Santo Antônio passaria a ser administrado por um rapaz da cidade de Garanhuns, sendo rebatizado como Cine São Luís, que era o nome do agora proprietário, Luís de Tal.
Não demorou muito e Manuel de Sousa Vilaça torna-se seu novo dono, mudando sua denominação outra vez, desta para Cine Santa Izabel, numa reverência à sua genitora, D. Izabel Vilaça. Manuel fez mais: construiu um prédio moderno, bem equipado, com cadeiras confortáveis, onde instalou sua sala de projeções.
Durante muito tempo a casa à Av. Governador Agamenom, ocupada hoje por uma filial da Igreja Universal, funcionou plenamente. Seu declínio começou com o advento da televisão, o recente meio de comunicação que chegou desbancando o rádio e o cinema, até então os veículos de informação e entretenimento, por excelência, das massas.
Com a evasão dos seus frequentadores o Cine Santa Izabel, ex-Santo Antônio, ex-São Luís, teve um fim melancólico: cerrou as suas portas, ficamos sem cinema.
As pessoas optaram por ficar diante de um aparelho de TV, assistindo programações mediócres e inexpressivas, a admirarem as monumentais obras da 7ª arte, escritas, dirigidas e interpretadas por artistas incomparáveis.
Lembrando o título de um filme de Elizabeth Taylor, uma das últimas e grandes estrelas do período áureo do cinema, a pouco desaparecida, eu concluiría filosofando: Assim Caminha a Humanidade…









