Por dentro da economia, por Denis Sobral

Postado por Denis Sobral / OJ
30 de Outubro de 2011
Na queda de braço entre a equipe econômica e o sindicato dos bancários, a grande vitoriosa foi mesmo a categoria. Se inicialmente o governo queria mostrar que os grevistas não deveriam criar grandes expectativas quanto aos reajustes, como deixou claro a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, ao afirmar que os grevistas arcariam, inclusive, com as consequências do movimento, quer com o corte do ponto ou a reposição dos dias parados; por outro lado, o reajuste de 9% sobre todas as verbas salariais e benefícios – superior à inflação – evidenciou a vitória.
Entretanto, a população é quem mais arca com o prejuízo causado pela paralisação, pois inúmeros são os transtornos que os cidadãos enfrentam, desde o pagamento de boletos, compensação de cheques, dentre outras transações financeiras. Diante de todas as atribuições concedidas aos trabalhadores, pouco ou mesmo nada foi acordado quanto a melhorias na segurança de clientes e funcionários das agências bancárias – um dos principais argumentos dos sindicalistas, motivado pelas recentes ações criminosas, as chamadas “saidinhas de banco” às quais toda a sociedade é submetida – provavelmente abafadas pelas compensações monetárias oferecidas.
Apesar das duras críticas feitas pela presidenta da República, Dilma Rousseff, que decidiu tratar as reivindicações do funcionalismo com mais rigor, para o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) é muito difícil afirmar que a greve é errada, mesmo após a crítica feita pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, ao afirmar que “greve não é férias”. Isso porque toda a história desse partido é configurada pela apologia aos movimentos sindicalistas e suas greves como forma de exigir melhores condições. O fato é que o trabalhador como um todo deveria ser mais valorizado no Brasil, sem contudo, ter que pintar sua cara e fazer protestos.

Compartilhe esta notícia