Entrevistado do mês: Antonio Oliveira

Postado por O Jornal
19 de Maio de 2010

O entrevistado da edição especial de aniversário de Lajedo é Antonio Oliveira. Não podíamos ter escolhido alguém que representasse melhor a cidade como ele, autor do hino lajedense. Oliveira falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos artistas locais, contou como surgiu a ideia de fazer o hino da cidade e revelou de onde vem tamanho amor pelo município. Confira abaixo:

O JORNAL – A maioria dos lajedenses sabe que você é o autor do hino da cidade, porém muitos ainda não sabem como você o fez. Conte-nos como surgiu a ideia de escrever o hino de Lajedo.
ANTONIO OLIVEIRA - A criação do nosso hino partiu da necessidade de dotarmos o município deste símbolo imaterial por excelência. Anteriormente os ‘hinos’ que apareciam eram adaptações dos de outras cidades, trazidos por professoras estaduais itinerantes que aqui lecionaram. Diante desta carência juntamo-nos, eu e o tenente e maestro Joaquim Viana Sobrinho (de saudosa memória), e compomos a CANÇÃO PARA MINHA TERRA – eu a letra, ele, a melodia –, que tornou-se o hino oficial do município por força do Decreto nº 06/74, de 07-09-1974, do então prefeito José Ferreira Rosa. Lá se vão quase 36 anos.

O JORNAL – Além do hino da cidade, você também escreveu livros que retratam a história do município. De onde surgiu tamanho amor pela cidade de Lajedo?
ANTONIO OLIVEIRA - Quem não ama seu torrão? Como diria Dostoiévski: “Se queres tornar-te universal canta tua aldeia”. Além do mais, descendente que sou dos nossos fundadores, trago no cerne, intrínsecos, a veneração pelos antepassados e a admiração por nossas origens.

O JORNAL – Além do hino e de livros, você têm outros trabalhos que retratem o dia a dia do lajedense?
ANTONIO OLIVEIRA - Sim. Atualmente colaboro com um dos nossos periódicos (Jornal Lajedo Hoje), no qual mantenho a coluna ELES CONSTRUÍRAM NOSSA HISTÓRIA, onde procuro resgatar a memória de vultos importantes, personalidades quase esquecidas no tempo e praticamente desconhecidas das gerações atuais.

O JORNAL – Você é uma das figuras vivas, mais importantes do município hodiernamente. Tem noção de sua representatividade dentre os lajedenses? Para você quem são os outros grandes nomes da cidade?
ANTONIO OLIVEIRA - Acredito que você esteja sendo generoso comigo, afinal não me considero com essa bola toda (risos). Gostaria de não citar nomes, a gente corre o risco de enumerar uns poucos em detrimento de muitos, e não é bom ferir a suscetibilidade dos outros. Em nosso meio existem pessoas de muito maior destaque do que eu.

O JORNAL – Como você vê a cultura lajedense hoje comparada a que você viveu anos atrás? Houve uma crescente evolução ou decaímos neste ponto?
ANTONIO OLIVEIRA - Continuo achando que a ‘era de ouro’ da nossa cultura foi a época de Júlia Costa. Saudosismo, talvez. Não restam dúvidas de que avançamos, porém não o suficiente. Existe muita mediocridade rotulada como arte e cultura. É necessário separar o joio do trigo. Naturalmente existem os bons, mas estes são a minoria e, no anonimato, permanece uma legião à espera de eclodir seu potencial interior.

O JORNAL – Quais são os maiores desafios de quem se propõe a fazer e viver da arte na cidade de Lajedo?
ANTONIO OLIVEIRA - O principal: a indiferença do poder público. Os políticos perdem muito tempo tentando burilar o falso metal de suas desgastadas figuras e relegam artísticos (entre outros valores), à condição ínfima. Não há ajuda, não há incentivo. Você já viu arte render voto?

O JORNAL – Quais são os seus planos para o futuro?
ANTONIO OLIVEIRA - Nunca faço planos, deixo que as coisas fluam naturalmente. Talvez, se o tempo não me for abreviado, ainda escreverei um livro. Quem sabe?!


*Foto: Antonio Oliveira / Arquivo Pessoal

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