O JORNAL - Atualmente quais são as maiores dificuldades enfrentadas pela direção do Centro Esportivo Lajedense?
BOI CARETA - A falta de verbas é a maior dificuldade nossa. Teríamos um custo muito alto para tentarmos formar novamente um time vencedor como era o time das décadas de 70 e 80. Hoje em dia Lajedo manda em médica 15 atletas para disputar campeonatos por outras cidades. OS jogadores vão representar outros times e ganham de 60 a 80 reais por jogo. Ibirajuba, Cachoeirinha, Jupi, Jucati, São Bento e Canhotinho vêm buscar nossos atletas. Como não temos dinheiro para segurá-los perdemos para as cidades vizinhas.
O JORNAL - O que deveria ser feito para que Lajedo pudesse segurar os atletas na cidade? Você não acha que a falta de investimentos no CEL é por questões pessoais como você? A mudança de presidente seria uma boa solução?
BOI CARETA - Para segurar os atletas na cidade só com investimentos. Realmente não estão mais investindo no clube por conta minha. Acham que eu faço uso pessoal do dinheiro, mas continuo dizendo que estou aberto para prestar contas de tudo que foi gasto com o repasse da prefeitura. Concordo que a mudança da direção poderia solucionar esses problemas.
O JORNAL - Em 1989 foi criada uma Lei na Câmara pelo então vereador Luis Ferreira que contemplava o Centro Esportivo Lajedense com uma verba anual que vinha do Poder Público. Essa verba ainda é repassada?
BOI CARETA - A Há três anos não recebemos mais esta verba. Houve uma mudanças na Lei que diz que o dinheiro não precisa ir mais especificamente para o Centro, ele pode ser gasto com o esporte em geral. Então é investido em campeonatos de futebol e futsal. Só recebemos um aluguel do campo na época dos jogos do campeonato lajedense.
O JORNAL – Como estão as atividades atuais do centro?
BOI CARE TA - Está funcionando uma escolinha do professor Caetano que tem uma parceria com o Clube Náutico Capibaribe. A escolinha tem a função de formar jogadores e levar para fazer testes no Náutico. Já nos domingos pela manha e pela tarde têm jogos das equipes de Lajedo. Todo domingo tem jogo lá no campo. Das oito equipes que jogam lá apenas duas contribuem com R$ 20,00. Daí você a falta de recursos que enfrentamos.
O JORNAL - Por que você ainda não a entregou a presidência do clube se reconhece que são inúmeras as dificuldades e não há mais confiança em seu trabalho? E sobre os comentários de esportistas da cidade que você teria alterado o estatuto na calada da noite para se perpetuar no cargo?
BOI CARETA - É mentira de quem anda comentando isso por aí. Nunca alterei nenhum estatuto. Foi criado pela CBF, repassado para a Federação Pernambucana que enviou para a Liga que repassou para os oito clubes filiados.
Nós apenas seguimos a recomendação da CBF que dá o direito do presidente ser candidato consecutivamente quantas vezes quiser. Temos eleições de três em três anos. Os sócios ativos têm direito ao voto. Fui reeleito com o voto dos sócios. Ainda não sai da presidência por que não encontrei ninguém comprometido com o futebol de Lajedo para poder assumir. De que adianta eu sair e entregar nas mãos de alguém para fazer pior que eu ou querer usar o campo para fazer politicagem?
O JORNAL - O que você tem a dizer sobre a proibição que fez para os treinamentos dos meninos da escolinha Azarias Alves no CEL?
BOI CARETA - Eles participam de projeto da prefeitura. Ganham da dinheiro para isso e nunca ajudavam o campo em nada e ainda saiam falando mal de mim por aí. Para não dizer que nunca me deram nada, davam R$30,00 de três em três meses para cortarem os matos do campo. Isso é ajuda de quem recebe verbas do governo? Até no campo do Módulo eles foram proibidos de jogarem por estarem falando mal do pessoal lá também. É por essas dores de cabeça que a gente passa todo dia ali que quero deixar o Centro. A gente não ganha nada, faz tudo pelo amor ao futebol e ainda tem que aguentar gente com desconfiança nossa.
O JORNAL - Quando é a próxima eleição no clube?
BOI CARETA - 2012. Segunda quinzena de julho.
O JORNAL - Há a possibilidade de você não ser candidato novamente?
BOI CARETA - Existe. Inclusive pode ser que eu entregue a presidência até antes das eleições. Este ano ainda. Estou conversando com o comerciante José Rivaldo (Corujão) que demonstrou o interesse de assumir a presidência e resgatar a história do Centro Esportivo Lajedense. Minha intenção é de ver o melhor acontecendo para o futebol lajedense. Sou apaixonado pelo futebol e só quero ajudar. Se ele puder ser melhor para o Centro não tem por que eu não passar para ele. As pessoas pensam que eu quero me apossar do campo, mas nunca tive essa intenção. Sempre quis o melhor, mas infelizmente não ta dando mais. Como ele não tem interesse político e a intenção dele é só ajudar vou entregar a presidência a ele. Corujão está com o apoio do comércio e então vai conseguir reerguer o Centro. Agora só depende dele.
O JORNAL - E como fica você nesta história? Continuará em algum cargo?
BOI CARETA – Isso fica a cargo dele. A diretoria vai ser nomeada exclusivamente por ele. Se precisar de mim para ajudar eu ajudo, só não quero atrapalhar.
O JORNAL - Com Corujão assumindo a presidência, os comerciantes e a prefeitura apoiando. O que você acha que pode ser feito de melhor na administração do Centro?
BOI CARETA - O campo precisa ser gramado. É preciso reformar os vestiários e alambrado, levantar os muros que caíram na última chuva. Com relação ao time já temos grandes jogadores. Com o que temos, gramando o campo, arrumando os vestiários e tendo uma disponibilidade de recursos financeiros podemos até disputar uma segunda divisão do campeonato pernambucano.









