Editorial: Repercutindo...

Postado por O Jornal
16 de Maio de 2011
A inevitável polêmica que se instalaria nos corredores da Câmara Municipal e nas rodas de conversas ainda está dando o que falar, graças a mais uma matéria veiculada por este jornal.
Na matéria de capa da edição passada, a qual informava de mais um aumento concedido aos funcionários da Casa vereador José Vital dos Santos, assim como na edição 0, a nossa primeira, tínhamos a intenção de não só informar, mas também causar uma reflexão na sociedade lajedense.
O que foi posto em análise não foi o merecimento ou não deste aumento (7% dado por Adelson enfermeiro e 15% por Potó) dado aos servidores, mas o suposto corporativismo - Corporativismo é ação em que prevalece a defesa dos interesses ou privilégios de um setor organizado da sociedade, em detrimento do interesse público - exercido pelos atuais vereadores ao aprovarem, desta vez, por unanimidade o aumento.
Há funcionários na Câmara que já ganham mais de seis salários mínimos (segundo consta na folha salarial), porém temos inúmeros servidores espalhados por todas as repartições públicas da cidade ganhando um mísero salário que com o desconto fica até abaixo do mínimo. Ora senhores vereadores, sabemos que o orçamento da Câmara em nada tem haver com o da prefeitura, que a Câmara tem autonomia para pagar seus salários e etc., contudo é uma das funções do vereador lutar por melhorias para a população. Se o funcionário é melhor remunerado, certamente oferecerá um mais qualificado serviço para o público. É função de vocês vereadores estarem atentos a essas injustiças e não a ampliarem. Temos uma bancada composta em sua maioria por servidores ou ex-servidores públicos. Agora que estão do outro lado da história não seria interessante esquecer seus companheiros!
A repercussão da matéria foi tão interessante que nos remeteu a outra reflexão. Um vereador falou, meio que envergonhado, mas querendo defender seus companheiros vereadores aproveitando a presença popular na Câmara, que o aumento do funcionário público em geral não era de responsabilidade única dos legisladores e blá, blá, blá... Como citamos acima realmente não é, entretanto o vereador pode requerer do Poder Executivo reajuste salarial digno aos funcionários públicos.
Outro vereador após a reunião, consciente de que a reflexão que aqui propusemos é necessária, procurou a reportagem e disse. “Realmente você tem razão quando escreve aquilo, mas é difícil para a gente. Temos que aprovar o salário dos funcionários senão eles ficam chateados com a gente. Agora os que pertencem a prefeitura cabe ao prefeito reajustar os salários, mas ele não reajusta e sobra para a gente. Já falei com o prefeito a respeito, mas ele disse que não podia fazer nada no momento, pois a prefeitura estava sem verba”, disse o vereador da bancada governista.
O interessante nas palavras do vereador é que ele é consciente da realidade, já solicitou reajuste ao prefeito e não foi atendido. Neste contexto só resta três alternativas, partindo do pressuposto que o vereador é o representante do povo. Ou ele investiga os gastos públicos para checar se está sendo feito algum investimento desnecessário que venha a acarretar nessa defasagem salarial( difícil, pois vereador em Lajedo apenas frequenta a reunião da Câmara quando o faz); solicita que sejam demitidos servidores que estejam ‘sobrando’ (o que mais tem é funcionário ‘batendo cabeça’ um noutro) ou rompe com o grupo (já que não faz sentido estar ao lado do grupo que não compactua dos mesmos pensamentos).
Ao contrário do que deveria ser, o clima funesto e apocalíptico nos últimos 62 anos de Lajedo vem se encaminhando na direção contrária, num enojado circulo vicioso onde quem está no poder esquece o povo em razão de seus benefícios.
O que mais preocupa para o futuro é que nem governantes, nem governados ainda conseguiram traçar suas ideologias em analises serenas e ordenadas, o que vem nos ocasionando uma sucessão de acidentes históricos. Resta torcer por dias melhores...

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