Crítica Cidadã, por Expedito Alexandre: A Falsa Miséria Estatística
Postado por O Jornal01 de Outubro de 2011
Ninguém dá pra perder uma discussão com os números do seu lado. Quem tem dados numéricos parece sempre saber do que fala. E, como discussões tendem a se prolongar quando ninguém sabe nada sobre o assunto em pauta, pode-se simplesmente inventar um número para encerrar a pendenga. Basta dizer que se leu no jornal, viu na Discovery, ou numa revista científica qualquer. Pronto, está garantida a palavra final na maioria das discussões inúteis do dia a dia.
A maioria das pessoas odeia matemática desde muito tempo para se arriscar numa discussão com números. Quem for mais sagaz e inventar seu argumento numérico primeiro, ganha o debate (não só, até um prêmio).
É claro que há 80% mais chance de um raio cair na sua cabeça do que um meteoro. Eu li no jornal.
E não há a menor necessidade de justificar a pesquisa, esclarecer sobre os critérios adotados, quem realizou, ou quando foi realizada, basta falar com convicção e citar uma fonte que lhe garanta autoridade.
Estreitando o tema de nossa Crítica Cidadã, não dá pra acreditar, por exemplo, em gestão democrática nas escolas de nossa cidade, maquiada por indicação política, com manifestação de apreço e subserviência ao “Chefe”; na saúde, falta de médicos; conselhos municipais dirigidos por “agentes” de cargos de ”confiança”.
De todas as patifarias, a maior é a pesquisa de opinião. Sempre partindo do pressuposto da mediocridade geral. Basta colher a opinião de meia dúzia para generalizarem a minha opinião, com margem de erro 2% para cima ou para baixo. Queira ou não, de uma forma ou de outra, as pesquisas de opinião nos transformam em parte de alguma maioria estúpida.









