Crítica Cidadã, por Alexandre Expedito

Postado por O Jornal
30 de Janeiro de 2012
Ninguém escapa da política; os que não se envolvem diretamente nos acontecimentos são envolvidos indiretamente nas suas consequências, porque todo ato humano em sociedade é político, inclusive o ato de omissão. Não decidir também é uma decisão (Ortega Y Gasset). Em qualquer das duas situações, trata-se sempre do “exercício de poder”: “o poder de participar”, de interferir na vida social de uma ou de outra maneira ou “o poder de não participar”.
Os políticos populistas costumam dizer: “A política é arte de servir ao povo”. O discurso populista comove as pessoas e procura conquistar a simpatia pessoal dos eleitores, transmitindo a eles uma imagem de candidato humilde e serviçal.
Os políticos de gabinete, que não gostam do cheiro de povo, afirmam que “a política é a arte do possível”.
Em ambos os casos, os argumentos utilizados provocam dúvidas que precisam ser enfrentadas por aqueles que pretendem orientar-se de maneira objetiva e mais precisa no terreno da política.
É através das dissidências e desapegos que a História acerta seus passos. Há um momento em que as possiblidades de uma proposta – política – parecem esgotar-se sob o peso dos anos, da rigidez de seus princípios, da prepotência de seus líderes. Como a fonte seca à beira da estrada, incapaz de saciar a sede dos peregrinos, a proposta vê-se rejeitada por seus discípulos dispostos a caminhar sem a tutela que lhes atrasa o passo.
As novas gerações veem na dissidência a conquista da liberdade. Daí a facilidade com que os mais jovens aderem às propostas do momento, que parecem brotar, como por encanto, da própria conjuntura que lhes é contemporânea.
Os jovens e os cidadãos conscientes de seu tempo percebem, de imediato, os direitos sociais que lhes são negados, principalmente saúde e educação e, de forma ordeira e igualmente consciente, derrubam do alto do culto da personalidade os falsos líderes como o vento desfaz, na praia, um boneco de arreia.

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