BC pisa no freio do crédito em 2011

Postado por O Jornal
01 de Dezembro de 2010
Quase um quarto das famílias brasileiras com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa – consideradas na linha de pobreza – possuem veículo próprio, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). São cerca de 17,7% das famílias brasileiras que hoje possuem pelo menos um carro ou uma moto na garagem. Isso em muito se deve às facilidades criadas pelo governo no intuito de reverter a crise que se iniciou no mercado em meados de 2008 e ameaçava demitir milhares de funcionários das fábricas de automóveis em todo o país. Visando estimular a produção e, com isso manter o emprego, o governo expandiu ainda mais as concessões de crédito, em especial ao setor automobilístico, o que por sua vez estimulou um número ainda maior de pessoas a adquirirem veículos novos, atraídos pelos parcelamentos, que chegaram a até seis anos, sem nenhuma entrada.
Passado o período de apreensão no cenário econômico nacional devido à crise externa, a preocupação do Banco Central (BC) recai sobre a inflação, e aquele que em outrora era tido como agente de mudança – o crédito – agora é encarado como vilão. À medida que os indivíduos obtêm prazos longos para quitarem suas dívidas, se submetem a demandar outros bens no curto prazo, aumentando a liquidez, o que ocasiona o crescimento da inflação, ou seja, se uma pessoa pode adquirir um bem e pagá-lo em pequenas parcelas por um prazo longo, o dinheiro que ela usaria para quitá-lo fica em sua posse, permitindo-lhe injetar na economia no presente, o que se realizado por uma grande quantidade de pessoas, faz com que haja mais pessoas interessadas em comprar do que mercadorias produzidas. Isso, por sua vez, gera inflação.
Diante disso, o BC definiu novas regras, que de maneira geral encarecem o crédito para 2011. E deve afetar, principalmente, as classes emergentes, na avaliação do economista da Agência de Varejo Automotivo MSantos, Ayrton Fontes: “Os consumidores que querem comprar o primeiro carro zero serão os mais atingidos devido ao aumento da entrada para a compra do veículo e pelo aumento dos juros do financiamento”, afirma. Entre 24 e 36 meses, essa entrada será no mínimo de 20%, entre 37 e 48 meses, de 30%, de 49 a 60 meses, de 40% e acima disso, as vendas terão restrição, independentemente da entrada. Essas restrições envolvem que os bancos façam uma reserva de capital 50% maior para garantir esses empréstimos. Vale lembrar que o aumento da alíquota não se aplica às operações de crédito rural e habitacional e sim, ao financiamento de veículos. “O foco é o crédito ao consumidor”, disse o chefe do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do BC, Sergio Odilon dos Anjos.

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