Auxiliares de enfermagem denunciam abandono

Postado por O Jornal
02 de Julho de 2010

Além de não receberem adicional noturno nem insalubridade, auxiliares de enfermagem do Maria da Penha são submetidos ao ridículo dentro do hospital. O chão tem sido o abrigo dos técnicos.

Na noite do último dia 19 (sábado), fui surpreendido por uma ligação por volta das 19h. Era um número o qual não tinha em minha agenda. Atendi a ligação e, para a minha surpresa, era um funcionário público que estava no outro lado da linha. Então este funcionário, que prefere não ser identificado, me fez sérias revelações a respeito do funcionamento do hospital. Uma das mais intrigantes, que relatarei a seguir, é a maneira com que os auxiliares de enfermagem estão sendo tratados. Segundo a fonte, o repouso dos auxiliares está sendo em colchões espalhados pelo chão do bloco cirúrgico do Hospital Maria da Penha Dourado (HMPD).
Cumprindo o meu dever de jornalista peguei o gravador, a câmera, o bloco de anotações e munido da fiel companheira caneta fui até o hospital conferir esta informação. Chegando lá, para minha tristeza, tive a confirmação da informação ao falar com a primeira enfermeira que surgiu em minha frente. “É a mais pura verdade. A gente está trabalhando aqui de maneira desumana. Não recebemos adicional noturno. Não recebemos insalubridade. E agora, para piorar ainda mais, estamos tendo que repousar no chão do bloco cirúrgico com total exposição aos ratos que sempre aparecem por aqui”, disse uma das integrantes do corpo de técnicos de enfermagem do hospital.
Como eu precisava ratificar a informação, procurei no dia seguinte, outros enfermeiros que foram enfáticos ao falar da situação. “Estão querendo brincar com a gente. Tiraram os auxiliares do quarto e colocaram para descansar no bloco cirúrgico. O secretário de Saúde alegou que era em virtude da reforma do quarto e que seria por apenas 8 dias. Já estamos há vinte e tantos dias nessa situação e até agora nada se resolve. Queremos e merecemos sermos mais respeitados”, disse a enfermeira que em todo seu depoimento contava com o apoio dos demais colegas de profissão. (No sistema atual de funcionamento do Hospital, ficam 5 enfermeiros de plantão por noite. Após 1h da manhã dois destes descansam por duas horas enquanto os demais ficam de prontidão).
Intrigado com a situação, procurei a direção do hospital para concluir minha tarefa jornalística seguindo a risca o que manda nosso código de ética no que diz respeito ao principio da imparcialidade. Ao expor a situação ao secretário de saúde, Walter Mendonça, que foi citado pelos técnicos de enfermagem na matéria, tive dele a seguinte justificativa. “Já finalizamos a reforma dos quartos. Houve um pequeno atraso, mas a situação já está solucionada. Aliás, sempre esteve. Os técnicos de enfermagem sempre tiveram um quarto para reposo. Não só eles, como os demais plantonistas. Agora, o que os auxiliares reivindicam é um absurdo. Querem que eu desocupe leito de pacientes para eles repousarem. Não iremos fazer isso nunca. Leito de paciente é de paciente. Os funcionários, todos eles têm os quartos para repousarem”, garantiu o secretário em entrevista realizada no dia 25 de junho(sexta). A reportagem de O Jornal voltou ao HMPD e constatou que a reforma no quarto estava em fase de conclusão.

Compartilhe esta notícia