Choque de contradições marcaram a reunião do último dia 20 que discutiu e aprovou o aumento de 7% para os funcionários da CML. Maria Chagas e Rossine não compareceram à votação do dia.
O aumento de 7% no salário dos funcionários da Casa Vereador José Vital, aprovado por 5 votos a 2 na reunião da terça-feira (20), causou um certo desconforto entre os membros da oposição e alguns edis da bancada de situação.
O Projeto de autoria do presidente da Casa, Adelson Luis Pereira (Adelson Enfermeiro) narrava um aumento de 7% para todos os funcionários da Câmara Municipal, fato que logo foi questionado pela vereadora Lêda Machado que não concordava com o reajuste. “Estamos enfrentando uma das maiores crises na Câmara de Lajedo. É um absurdo um aumento numa hora dessas. O presidente (Adelson) já barrou por várias vezes a contratação por parte da oposição de assessores parlamentares alegando falta de verba. É preciso ter democracia aqui dentro também. Não é justo apenas a situação ter assessores”, argumentou Lêda que seguiu protestando contra o presidente da CML. “A bancada da situação vetou um aumento no salário dos motoristas. Vetou aumento para os funcionários da saúde e não luta pela exigência do cumprimento no piso salarial do professor e agora vem aprovar esse reajuste? Não é justo com os outros funcionários públicos”, completou a vereadora.
O vereador Airton Francisco (Potó), um dos que votaram a favor do aumento (Adelson, João Balão, Chiquinho e Marcantonio Dourado Filho), questionou o porquê dela votar contra o aumento de 7% se na gestão passada ela teria aprovado um aumento de 22%. “Quando a sua base lançou um aumento de 20% você foi favorável e ainda pediu ampliação para 22%. Os funcionários merecem o aumento”, defendeu Potó.
Denúncias
A vereadora Lêda ainda fez sérias denúncias ao presidente da CML, Adelson Enfermeiro. Uma delas foi com relação ao número de funcionários presentes em folha de pagamento, que segundo ela não condiz com os que frenquentam diariamente a Casa. “Além de já termos salários altíssimos aqui (o maior é de R$ 4.070,50) sabemos que existem funcionários que nunca apareceram para trabalhar. Tem pelo menos dois que são fantasmas ou desviados para outros setores. A Câmara não pode se dar ao luxo de manter funcionário fantasma ou pagar salários que deveriam ser pagos pela prefeitura, ainda mais agora que tivemos um concurso público na cidade. O presidente diz que não tem dinheiro na Câmara, mas paga para funcionários que nem trabalham na Casa. Isso não pode existir”, desabafou Lêda.
O vereador e presidente da CML, Adelson Enfermeiro, que foi acusado por Lêda de manter funcionários fantasmas na Câmara, foi procurado pela reportagem de O Jornal, porém preferiu não se pronunciar.
Confira no quadro, com detalhamento para cargos comissionados, como ficará as despesas da CML após o reajuste.
Quadro de Funcionários Comissionados da CML
Função / Quantidade |
Vencimentos (Bruto) |
Mais 7% de Aumento |
| Diretor de Manutenção (1) | R$ 1.385,79 | R$ 1.482,79 |
| Assessor Parlamentar (6) | R$ 1.385,79 (R$ 8.314,74) | R$ 1.482,79 (R$ 8.896,77) |
| Assessor de Secretaria (1) | R$ 1.385,79 | R$ 1.482,79 |
| Coordenador de Contabilidade (1) | R$ 2.100,00 | R$ 2.247,00 |
| Chefe de Gabinete (1) | R$ 1.385,79 | R$ 1.482,79 |
| Diretor de Tesouraria (1) | R$ 1.385,79 | R$ 1.482,79 |
| Total de comissionados: 11 | Total de Vencimentos: R$ 15.957,90 | Após aumento: R$ 17.074,95 |
| Total de efetivos: 4 | Total de Vencimentos: R$ 13.402,10 | Após aumento: R$ 14.340,24 |
| Total de funcionários: 15 | Total geral: R$ 29.410,50 | Após aumento: R$ 31.469,23 |
Aprovação dos 7% repercurte mal
O aumento de 7% no salário dos funcionários da Câmara Municipal de Lajedo ainda está dando o que falar. O motivo de tamanha repercussão é que, a vereadora Lêda, uma das que votou contrário à decisão de aumento dos salários, salientou o veto por parte dos vereadores da base governista no aumento salarial de funcionários da saúde e motoristas em geral que atualmente recebem abaixo do piso da categoria.
Mediante tal polêmica, O Jornal foi ouvir alguns funcionários que decepcionados com a decisão da Câmara Municipal, desabafaram contra os vereadores. “O único sentimento que se pode ter nessas horas é de tristeza. Fica difícil da gente acreditar em político quando isso acontece. Todos eles sobem no palanque e prometem lutar pelos funcionários públicos, mas na hora de defender a classe acabam se deixando levar por interesses próprios”, lamentou o motorista Givaldo Macedo.
Para o motorista de ambulância Ademir Ferreira o problema é ainda mais grave. “Além de aumentarem os salários dos funcionários da Câmara, negam nosso aumento que temos direito e nem sequer discutem nossas perdas. Trabalhamos mais do que devíamos, não recebemos insalubridade nem adicional noturno. É uma vergonha essa Câmara”, protesta.
* Foto: Ewerton Almeida / Divulgação









