Acertando os pontos, por Pedro Melo - Janeiro 2010

Postado por Jornal Tribuna do Agreste
01 de Janeiro de 2010

O Feijão...

Na TV... Lajedo já foi destaque do Globo Rural por causa do feijão? (04/06/2007).

Na Internet... Lajedo é um município brasileiro do estado de Pernambuco. ... As principais atividades agropecuárias são: Feijão, milho, mandioca... www.wikpedia.org

Dá para acreditar na seriedade de alguém que mesmo após governar um município por mais tempo do que deveria não tem o menor senso de responsabilidade e de respeito com o povo, distribui produtos pelos quais a nossa cidade é conhecida nacionalmente, sem a menor condição para o consumo humano? Será que a prepotência e o autoritarismo extrapolaram todos os limites do bom senso e a insanidade domina as ações de tal governante? Ou será apenas, tão somente, congênita falta de respeito aos governados e a prova definitiva que o “amigo” só é de fé para os seus camaradas?

Os depoimentos foram de uma dramaticidade profunda. Pessoas carentes e humildes foram induzidas pela conhecida propaganda enganosa (modelo nazista) deste (des)governo através da mídia sonora móvel (carro de som) e até de funcionários no horário do expediente (diretores de escola, p.ex.), a acreditar que de alguma forma (após um ano...) seriam lembradas pela “generosidade” do seu ausente governante. Então foram surpreendidas com a distribuição de uma “Cesta Esmola” que ao invés de saciar a fome matou de vergonha os nossos irmãos que precisam de tudo menos de humilhação e que tanta indignação causou aos que tem no respeito à principal forma de se relacionar com os seus semelhantes e que felizmente ainda não perderam a capacidade de se indignar.

Aliás, é redundância falar em desrespeito por este (des)governo que se instalou em Janeiro de 2009 na nossa cidade, (os concluintes 2009 da Escola Jornalista que o digam), afinal a única unanimidade do mesmo é a forma desrespeitosa com que trata o povo que devia considerar em “primeiro lugar”. Estive recentemente utilizando uma das salas de aula do Colégio Normal e fiquei decepcionado com o que vi. Como pode um gestor querer que os alunos se interessem em aprender algo numa sala cuja temperatura ás oito horas da manhã já está insuportável? A luminosidade refletida pela janela de vidro sem nenhum filtro para diminuí-la torna o ato de ler uma missão impossível. As bancas são um caso a parte: pequenas, mal feitas, riscadas, quebradas e com um espaço mínimo entre o assento e a bancada para escrever o que transforma o simples ato de escrever numa verdadeira acrobacia e para sentar precisa ter curso de contorcionista.

Sei não, mas parece que o objetivo é o seguinte: Se ninguém aprender não vai reclamar se um dia um “amigo de fé e irmão camarada” distribuir comida de porcos para se consumir... O que você acha?

O Sonho...

“Sou um caboclo sonhador meu senhor viu! Não queira mudar meu verso, se é assim não tem conversa...”.

Sim, eu sou mesmo incorrigível... Continuo acreditando que é possível sim criar uma nova expectativa nos corações e nas mentes das pessoas e as fazer acreditarem que um mundo melhor é possível. Tenho o sonho de que a minha cidade um dia seja governado por quem lhe tem carinho, por quem lhe tem respeito e, acima de tudo, por quem respeite as pessoas que lhe fazem ser tão diferente. Acredito que as pessoas precisam ser tratadas com dignidade independente das suas opiniões e escolhas pessoais, se valorizando muito mais pelo que sejam do que por aquilo que possuam.

No meu sonho não tem lugar para o benefício individual porque o coletivo é a razão do meu ser, nele eu encontro o ponto de equilíbrio que nos mostra o caminho da igualdade e da fraternidade que a bandeira da França ostenta com soberania. Neste sonho não tem lugar para os bajuladores, pois eles deixarão de existir pela absoluta falta do que fazer, os incompetentes terão a chance de deixar de sê-lo pelos seus próprios méritos e os pessimistas descobrirão rapidamente a importância da escuridão para que a luz tenha o seu valor reconhecido.

Não, não será preciso pedir o que de direito tem sido desumanamente tantas vezes negado... Pois sim, alguns dirão, então assim é fácil, é só sonhar que acontece. Infelizmente não é tão simples. Primeiro precisamos reconhecer que nós somos responsáveis pelo que fazemos e se repetidamente demos a oportunidade a alguém é por acreditarmos que o seu desempenho era satisfatório. Reconhecido o erro cabe-nos a mudança como forma de proporcionarmos a outros a oportunidade de fazer aquilo que sabemos ser possível e que por inconfessáveis razões tem deixado de ser feito.

Como não acreditar que seja possível uma escola descente que sirva para todos indistintamente? Um serviço de saúde que atenda a todos de maneira integral, universal e gratuita como prega a nossa Lei maior? Funcionários públicos tratados com respeito, dignidade e atenção para que os mesmos dispensem aos que atendem as mesmas prerrogativas? Por que achar que é impossível a população manter a nossa cidade limpa desde que ela acredite que é limpa também a forma como é tratada a coisa pública por aqueles a quem outorgou o poder?

Então fica combinado que depende de nós, portanto, vamos fazer um pacto neste início de ano novo, quando as esperanças se renovam, para que cada um de nós contribua com o que temos de melhor para fazer com que aqueles ainda adormecidos percebam que o bonde da história não pode nem deve permanecer estagnado na estação da vida da nossa cidade e que é preciso mudar o condutor para que a locomotiva arraste os vagões de nossas vidas para uma nova estação onde a esperança substitua o medo da mudança e ofereça a todos nós a oportunidade de mostrar que SIM, NÓS PODEMOS.

Dr. Pedro Melo.
Médico Cirurgião Geral
Pós Graduação em Gerência de Cidades
Pós Graduação em Auditoria de Sistemas de Saúde
MBA em Gestão Hospitalar
Gerente da Atenção Especializada da SMS-Caruaru

O comentário desta coluna é de total responsabilidade do seu autor.

Comentários (Nenhum comentário)

Cancelar  ou 

Compartilhe esta notícia

Twitter Imprimir http://www.portallajedo.com/JornalTribuna/o-feijao-e-o-sonho