Entre as causas apontadas está a estrutura física precária; a inexistência de tratamento de resíduos líquidos e sólidos; currais em péssimas condições de conservação e sala de abate sem grade metálica de proteção. As irregularidades, de acordo com informações do MPPE ficaram comprovadas por meio de laudo de vistoria, produzido pela Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro).
“Essas condições, obviamente, revelam o alto e elevado risco, com o consequente perigo de contaminação da população que consome tal tipo de carne, podendo contrair doenças graves, infecto-contagiosas, por bactérias, vermes e resíduos de antibióticos e anabolizantes, que podem matar, gerar intolerância ao leite, provocar câncer, tuberculose e alterações hormonais, além de vários outros prejuízos à saúde”, argumenta o promotor.
Na ocasião da realização da vistoria, não havia veterinário presente no local. “Ainda assim, ficou constatado que os animais foram abatidos, comprovando que a matança não teve o atestado do médico”, declara Romualdo Siqueira.
Também ficou constatado que o trabalho de triparia era realizado na área externa do matadouro, sem as mínimas condições de higiene e de funcionamento, sequer dispondo os trabalhadores dos equipamentos necessários. “O laudo da Adagro é taxativo, ao concluir que o estabelecimento não atende às exigências mínimas para o fim a que se destina, com sérios riscos para a população canhotinhense e para o meio ambiente, sobretudo em razão do destino que é dado às vísceras e aos demais produtos não comestíveis, além dos despejos líquidos que não têm o devido destino”, frisa Romualdo Siqueira.
A Promotoria de Justiça também recebeu denúncias através de ligações telefônicas veiculando a matança de vacas prenhas. “Além disso, a limpeza e a desinfecção do matadouro não atendia às condições exigidas, pois as dependências se encontravam em precárias condições de conservação, sem a existência de máquinas e utensílios, bem como não se fazia o combate à insetos e nem a roedores”, declara o promotor.
A questão das más condições dos prédios públicos como matadouros e mercados públicos tem protagonizado várias notícias revelando o descaso com esses patrimônios pertencentes e de uso direto da população, pois um dos casos que chamou bastante atenção no agreste pernambucano foi também o fechamento do matadouro público de São Bento do Una que foi alvo de sérias denuncias por parte do vereador Washington Cadete, em que revelou um verdadeiro caos estrutural do prédio. O matadouro acabou tendo suas atividades transferidas para Lajedo, mas diante de tantos fechamentos de matadouros no estado de Pernambuco, o matadouro público de Lajedo também vem sendo visto com receio por parte da população, inclusive, recentemente, o vereador da cidade de Lajedo, Rossine Blesmany, divulgou em sua página de rede social de internet várias imagens do mercado público de sua cidade, em que mostrou principalmente a falta de higiene e más condições estruturais e de segurança. O prédio identificado como CEALA – Centro de Abastecimento de Lajedo, vem sendo alvo de fortes críticas há vários anos pelas representações políticas de oposição. O relatório completo com as imagens sobre atual situação do prédio público de Lajedo já foi encaminhado para o Ministério Público.









