Falo por educação, por Alex Macena

Postado por Jornal Tribuna do Agreste
01 de Fevereiro de 2010

Muito se discute sobre o que seria uma escola moderna com ensino de boa qualidade.

Uma escola moderna se faz com política, novas técnicas ou com recursos?

Na verdade, uma escola se faz com seres humanos. Pois substitui a presença do homem em busca da solução dos problemas em que vive.

Gostaria de pedir licença aos meus ex-professores e diretores das escolas onde passei para fazer minha humilde ”análise” ao que chamo particularmente de nova era do sistema estudantil brasileiro.

As técnicas

Acredito que quando se trabalha numa estrutura de interatividade, onde tanto o recebedor do serviço como o profissional são reconhecidos, sem dúvidas alguma há condições de produzir e cobrar bons resultados finais, consequentemente a satisfação será coletiva. Ou seja, não há segredos em técnicas, pois não se gera pensamentos criativos no meio de uma corrida, onde a pretensão é chegar ao final sem se importar com a colocação. Pois aprender com cada passo é apenas para os que querem retornar e repassar seus ensinamentos para outros.

Os professores

Por ironia do assunto, diante da falta de emprego nas pequenas cidades, esta peça incondicionalmente insubstituível deste processo, ainda continua sendo exploradas como ferramentas de politicagem. A famosa Classe social sofredora, hoje goza de algumas conquistas salariais, conseqüentemente, visto como problema na folha de seus municípios. E olha que eu teria que falar em políticas de qualificação e aumento de sua efetivação, visando melhor eficácia da educação.

Os alunos

Se os professores são desvalorizados diante da sociedade que fazem parte, o que dizer dos alunos. O aluno dentro de um colégio precisa ser mais participativo em todo seu campo de desenvolvimento, pois são os profissionais de amanhã.

Onde estão as competições escolares que geralmente formam e revelam atletas em seu vasto campo de ensinamento de iniciativas, motivacional, sócio-coletivo e promoção de lideres. Serão homens e mulheres que tiraram lições de vida através do esporte, da cultura e dos estudos.

Sei que alguns fazem algo com muito esforço, mas confessem que não é fácil com a quantidade do dinheiro destinado para estas práticas, inclusive, quando destinadas, servindo apenas de resultados artificiais, devido a uma prestação de contas institucional.

Então fica claro que para alguns covardes é mais fácil e cômodo manter o aluno sentado, escutando o professor falar...falar...falar. Não quero falar nem de motivação do aluno!

Pois as grandes vítimas do sistema (os alunos) já não vêem mais motivos em defender e discutir seus interesses com antes, onde haviam os representantes de classes. Era vozes sérias em favor da classe estudantil. Será que alguém se habilita com a mesma seriedade de antes? Esses seriam os futuros lideres populares de nossa sociedade. Com bagagem de debater e decidir desde o tempo de escola. Que orgulho! O Brasil agradece!

O quadro negro

Já não se concebe tanta preocupação com a história antiga se somos invadidos dentro de nossa casa. Por que não falar sobre a revolução de 64 que a obscuridade começa a se revelar hoje, seja no comportamento político ou social, seja no financeiro ou comportamental. È desconcertante mergulharmos nos estudos da história do mundo e desprezar a nossa verdadeira história, principalmente coisas que não queremos viver novamente. È vergonhoso, ver milhares de brasileiros não saber explicar o que foi a ditadura e ainda tirarem onda da própria limitação de conhecimento de um fato que assassinou os que lutaram pela sua liberdade de expressão e democracia. Isso é se sabem também o significado destas duas últimas palavras.

Por que em vez de decorar a altura do Pico da Bandeira, não estudar o desmatamento da Amazônia?

Por que em vez de estudarmos a Revolução Francesa, não estudarmos mais profundamente a Guerra de Canudos e debater assuntos atuais de jornais e revistas, observando que pouca coisa mudou.

A Valorização

A valorização do ser humano como fator “qualidade” no ensino, estende-se desde um digno salário e estrutura pedagógica dos professores e de todos envolvidos na Educação, até o estado físico das escolas, proporcionando a ligação de valorização com identificação do sistema sob os alunos. São iniciativas que só uma política governamental correta de distribuição orçamentária pode fazer.

Talvez eu esteja sendo utópico, mas ressalto que é apenas uma questão de conscientização.

Parabenizo as boas escolas, pois claro que em tudo existe uma exceção, histórias heróicas e de exemplos coletivos. Mas o pior é que quando a corda torce e os resultados não chegam. Ninguém assume e os governantes declinam toda responsabilidade para o pobre professor que além do mais, agüenta tudo calado para não perder o emprego.

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