Mesmo instrumental, a obra de Edmilson do Pífano funciona como uma descrição autêntica da vida rural no interior de Pernambuco. No recém-lançado novo disco do artista, chamado Dedilhando o canudinho, as músicas parecem ter sido gravadas em uma palhoça no meio de um sítio no interior, com instrumentos rústicos e arranjos acústicos.
No novo CD, há vários gêneros musicais, como baião, chorinho e xote. Todas as músicas são de sua autoria, com exceção de duas faixas compostas por Chau do Pife, de Alagoas, que ele considera um dos melhores especialistas em seu instrumento. Zé da Flauta, que produziu o CD, faz uma participação especial. O sanfoneiro Genaro toca acordeom em todo o disco. O único instrumento elétrico utilizado foi um contrabaixo, tocado pelo baixista Tony, que deixa o som melhor preenchido. Este é o 17º disco de Edmilson, que morou em São Paulo durante 13 anos e já tocou no festival Abril Pro Rock em 1998.
Além da carreira solo, Edmilson também toca na Banda de Pífano Flor de Taquary de Caruaru, cujos integrantes são seus familiares. Sua esposa, um sobrinho, um primo e um irmão estão na formação atual. Segundo ele, o grupo existe há mais de cem anos e já teve seu pai entre os membros.
Edmilson é um dos maiores nomes do pífano no Brasil, mas admite que encontra dificuldade para fazer shows e sente falta de mais reconhecimento. Ele tem quatro instrumentos, um deles fabricado por ele mesmo há mais de 30 anos. Para preservar sua tradição, ele faz questão de ensinar os sobrinhos a tocar.









