Eu sou daqueles que nos anos 80, mesmo com pouca idade, me juntava aos que eram contra os partidos de direita, acreditando que os movimentos sociais esquerdistas dariam um jeito no país. Éramos chamados de “utópicos” que desconheciam o verdadeiro caminho do progresso, tão aclamado no Brasil.
De fato, talvez não soubéssemos tanto, o quanto eles queriam saber de política econômica, mercado cambial e outros assuntos, mas com certeza sabíamos que havia uma doença emergente em nosso país chamada política social. Oriundo dessa famigerada doença, que se alastrava a cada promessa de eleição, se tinha no candidato Lula uma esperança.
Após três eleições para presidente, frustradas pelo plano de Collor e pela marca eleitoreira do Real que motivou o segundo mandato de Fernando Henrique (“Agenciador de vendas de nossas estatais”), finalmente, “a esperança venceu o medo”. Era chegada a hora de tentar transformar sonho em realidade. Acho que estávamos certos, pois agora já é previsível que o presidente das causas sociais, Luís Inácio Lula da Silva, está credenciado à entrar na história do Brasil como o melhor presidente de todos os tempos. Os índices de aprovação, tanto no Brasil como no exterior são altíssimos. No antes esquecido nordeste, ele é adorado. Nos Estados Unidos, Obana diz: Ele é o cara, e na França, foi eleito o homem do ano. Tudo isso, tendo sempre como seu carro chefe, a tal da política social. Hoje, ferramenta de planos arquitetônicos de manutenção de poder por alguns governos (demagogos e beneficiados da ignorância do povo) em suas várias estâncias. Pois é, o homem sempre dando um jeitinho de se dar bem, sem se preocupar com o próximo ou com futuras gerações.
Mas agora, torço não para que Lula continue, mas para que a esperança continue vencendo o medo, para que a democracia continue na via da busca de seu respeito, já que em nosso país Lei é moda, umas pegam e outras não!
Mas para que assim continue, precisamos continuar torcendo desconfiados de nossa própria torcida, pois são espantosas as “profecias” dos homens da direita. Isto porque estão certos que todos os desequilíbrios administrativos do governo Lula virão a tona, fora do seu mandato. Entre eles, o inchaço da divida interna, o rombo da previdência, os conflitos da reforma a agrária e por final, os prejuízos pelo menosprezo à agenda ambiental.
Pois é, apesar do papel secante da oposição, temos que reconhecer que o discurso ambiental ficou apenas no papel e na vontade de fazer. Os planos para nosso meio ambiente foi sufocado pelo pré-sal, que ao que acompanharmos as progressões da tecnologia automotiva, percebemos que enquanto o Brasil fala em extrair mais petróleo, os países mais avançados falam em transporte movido a energia elétrica e diminuição de emissão de Co2. Ou seja, será que daqui á quinze ou vinte anos estaremos com esse mesmo entusiasmo de perspectiva em relação ao pré-sal? Uma coisa é certa, a briga pelos royalties do pré-sal está apenas começando, pois a fome capital dos estados brasileiros em relação a subsídios é maior que a que Lula se dispôs a enfrentar no início de seu governo como promessa de campanha. Pois essa não é a fome da cesta básica, e sim, a fome de milhões e de grandes interesses políticos.









