As bandeiras do “democratismo”: A criança Brasília completa 50 anos sempre fazendo escola

Postado por Jornal Tribuna do Agreste
01 de Maio de 2010

Em uma escola pública de Brasília que celebrava os 50 anos da cidade, ao presenciar o seu diretor hasteando a nova bandeira do Brasil, no lugar da velha, a pequena Maria Esperança nem imaginava que aquele homem idoso antes já havia levantado várias vezes, outras bandeiras. Inclusive do Direito da Aposentadoria.
Ela nem imaginava que na “composição” daquele tecido também era hasteada a Bandeira da Cooperativa dos Pequenos Plantadores de Algodão.
Que além daquela bandeira, o mastro também “sustentava” a Bandeira dos Metalúrgicos.
Que aquela Bandeira a “caminho” de seu trajeto final, também tinha como “trajeto” a Bandeira da Paz no Transito e outras tantas causas sociais e organizacionais de nosso país.
Que nas quatro cores daquela bandeira havia a essência de seu nome (ESPERANÇA), tingida por um profissional que lutava pela Bandeira dos Direitos Trabalhistas.
Que nas costuras daquela Bandeira estavam “linhas e pontos” que também traçavam a Bandeira da Associação das Costureiras.
Que sua professorinha, cantora do hino que acompanha a Bandeira, era integrante da Bandeira do Sindicato dos Servidores Públicos.
Que a frase citada naquela Bandeira era tinta de uma fábrica que não respeitava a Bandeira do Meio Ambiente.
E que ironicamente talvez por também não respeitar alguma Bandeira, naquele instante seu colega do lado era levado embora da escola pela Bandeira do Estatuto da Criança e do Adolescente. Tal colega, que no futuro, ela ainda o veria encontrar na falta de merenda escolar, a sua precoce e primeira Bandeira.
Ela nem imaginava que o brilho das estrelas daquela Bandeira era apenas para os que se apropriavam de sua representatividade e não para os que a levantavam. Pois o que sobrou da anterior foi apenas os trapos da corrupção e de um plano de permanecia de poder disfarçado de política social. Entre os sobreviventes de tantas bandeiradas ainda estão os desempregados, a violência, o tráfico e suas conseqüências hereditárias.
Maria Esperança, nem imagina qual bandeira terá que hastear no futuro...
* Este texto é uma ficção ilustrativa (Alex Macena)

“As melhorias só estão à vista dos acomodados e egoístas, pois o mundo agora cresce e aquece no mesmo instante em que a razão se distancia cada vez mais de nós mesmos”. Alex Macena.

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