Acertando os Pontos por, Pedro Mélo - Junho de 2011

Postado por Jornal Tribuna
05 de Junho de 2011
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que
poderia ter sido e não foi. Luiz fernando Veríssimo.

Era adolescente, cheio de sonhos e acreditava cegamente que o centro do mundo era Lajedo. Sonhava em dirigir o carro do meu pai e sair pela cidade “desfilando a minha pose”. Como alguns, queria ser cabeludo, como aqueles americanos que apareciam nos filmes e que os adultos chamavam de hippies e nós de heróis mas os meus pais não deixavam, bastava crescer um pouco e lá estava eu em Mané Barbeiro com aquela maldita máquina cortando os meus cabelos à moda Jack Deme. Morria de inveja daqueles garotos que eu via, quando das minhas idas a Garanhuns com o meu pai, e ficava na calçada do Banco Nacional do Norte, olhando-os em grande algazarra desfilar com suas fardas cáqui do Colégio Diocesano de Garanhuns.
Como “desgraça” pouca é bobagem, de vez em quando eu via tudo que eu não podia ser, para meu desespero, chegar em Lajedo. Ah! Que inveja! Montados numa Belina I, azul, seu Davino da farmácia e dona Lurdinha, vinham de Garanhuns, visitar os pais: maternos, seu Zé de Sales e dona Amélia, e os paternos seu João de Couto e dona Deufina e,junto com eles, os seus filhos: a gordinha Luciana, o “branquelo” Roberto (bebeto), o “chico rico” Chico Couto e ele o bonitão, com pinta de galã de novela, cabeludo e aluno do Diocesano, Luciano ou LULU, para as meninas. Era o arrasa quarteirão da época, e que época...
Para piorar, ele não só sabia dirigir como o seu pai, mesmo contrariando o sargento Eury, delegado da cidade, lhe entregava o carro para desespero meu e de meu inseparável amigo Dilson de Jerônimo. O mínimo que nós desejávamos, era que os postes criassem “pernas” e fossem para a frente do seu carro... Que maldade... Que inocência...
Amigos no início, só os filhos de seu Adenor: Adelmo, Sandra e, por último,Adenorzinho. Ficavam “hospedados” na casa de Alice e criaram uma grande amizade com Marinalda, sua filha. Como nós os tratávamos de forasteiros, afinal eles pertenciam ao “país” chamado Garanhuns, não facilitamos muito sua vida.
Passado algum tempo quis o destino que os seus pais em Lajedo viessem a residir. Nesta época, apesar dele ter feito uma “paixão” minha por ele se apaixonar e não corresponder, tornamo-nos amigos. Essa foi a época de ouro de nossas vidas. Fizemos tudo que um jovem saudável pode fazer: fumamos, bebemos, jogamos, dançamos e namoramos muito. Pertencíamos ao grupo denominado “Turma da Fumaça”, numa alusão ao que nunca tivemos coragem de fazer.
Nos “assustados” era um dançarino costumaz, preferido das meninas e sempre fazia bonito com suas roupas da moda e seus longos cabelos louros encaracolados. Tempos depois convivemos em Recife, para onde fomos com o objetivo de estudar e que alegria foram as nossas farras, ainda hoje difícil de acreditar no seu tamanho, pelo pouco de recursos de que dispúnhamos à época.
Ir à praia de ônibus e voltar à pé... Acreditem isso era possível.
A abertura do verão em Boa Viagem, numa festa denominada “Vamos Abraçar o Sol”, na qual ficávamos até o nascer do sol porque não podíamos voltar antes... Que diversão! No “Meio do Mundo”, ele junto a outro amigo da época, era conhecido pelo nome junto aos garçons, tal a sua frequência naquele que foi um dos melhores bares que já conheci.
Na Semana Santa vir de trem para Caruaru e ir de carona para Fazenda Nova, beber vinho Dom Bosco, (que ressaca), e “serrotar” cachorro-quente no trailer de Mané de Chico Doido, que só fazia onda, mas no fim nos alimentava e não cobrava o fiado porque sabia não ter como receber.
Apaixonado que foi pela vida, apaixonou-se pela nossa querida Ana Paula, certamente orientado por Deus, que lhe presenteou como alma gêmea alguém que pelo seu temperamento seria e lhe faria, como foi e como lhe fez, feliz. E, como sorte pouca é besteira, ainda receberia de lambuja dois tesouros de valor inestimável que respondem pelos nomes de Thiago e Thatiane.
Estivemos, por pouco tempo, afastados pelas escolhas que fizemos mas como prova de que grandes amizades quando se acabam é porque não eram grandes, voltamos a conviver e caminharmos em união.
Através deste artigo te rendo esta homenagem para que teus filhos guardem e tenham de ti a lembrança de um bom filho, de um grande amigo, de um companheiro leal, de um dedicado esposo e de um amoroso pai.
Luciano, abraça Edson, Lau e Lêdo, cuidado na tapa nas costas que Josa vai te dar, fala com Zé de Mané Leite que está ai há mais tempo para saber como é que funcionam as coisas e, procura Felipe, esse, com certeza sabe onde você pode se divertir. Quando a tristeza apertar procura Paulo Soares, Zé Rosa e Tungueira e façam uma grande festa aí no céu.

Um abraço cordial do seu amigo Pedro Melo.

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