Acertando os pontos, por Pedro Mélo

Postado por Pedro Mélo / JTA
03 de Maio de 2011
“A maternidade tem o preço determinado por Deus, preço que nenhum homem pode
ousar diminuir ou não entender.” Helen Hunt Jackson.

Maria, após nove meses sem conseguir fazer o pré-natal
pariu numa chamada “casa de parto” onde ninguém se
preocupou em lhe dizer o que iria acontecer. Desenvolveu
uma psicopatia relacionada ao trauma obstétrico e tentou
assassinar seu rebento que nasceu depois de quase doze
horas de sofrimento.
Severina, que já havia parido muitos filhos, desta
vez não teve a força suficiente nas contrações para expulsar
aquele que seria seu último filho e o viu ser retirado
aos pedaços após a sua morte sem que ninguém lhe explicasse
o que tinha ocorrido.
Júlia,transformara-se na estrela da família afinal,
para quem nunca tivera um neto, ela de uma vez só os
presentearia com um casal, isso se alguém tivesse percebido
que estavam sofrendo e a encaminhasse para um lugar
onde pudesse ter recebido assistência médica, como isso
não ocorreu só restou a tristeza e a dor pela perda.
Marina, depois de passar os nove meses da gestação
em uma verdadeira espera... Esperou pelas consultas...
Esperou pelos exames... Esperou pelos medicamentos...
E, esperou por um médico que nunca chegou...
O pior foi que a fizeram esperar por um filho que nunca
nasceria porque morto já estava no interior do seu útero na
sua barriga.
Os nomes são fictícios, as histórias, infelizmente, não, e esta
tem sido a saga das mulheres que necessitam de atenção à sua
saúde em municípios, como o nosso, que não dispõe de um
serviço que atenda àquela que é a essência da existência de toda
mulher: Ser a mãe.
A consequência trágica disto tudo é que estamos produzindo
um contingente sem tamanho de crianças, que quando
conseguem nascer, no futuro, certamente, apresentarão um grau
de deficiência que as tornarão, para nossa infelicidade, em um
exército de débeis mentais, com dificuldades na aprendizagem,
o que as levarão a manter no poder àqueles que o produziram
ou seus semelhantes.
Custa-nos crer que seja possível a um governante, de
cuja capacidade intelectual ninguém duvida, desconhecer as
práticas empregadas na sua gestão no que se refere aatenção a
saúde da mulher gestante. Mais o que causa-nos um verdadeiro
asco é ouvir de alguns energúmenos a defesa destes atos... Isto
nos evoca a frase que o filho de Deus,ao ser martirizado na
cruz, pronunciou: Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem
(dizem).
Causa-nos também uma espécie de desânimo perceber
que por mais que se avolumem as denúncias, por maior que seja
o número de vítimas, independente das histórias, que mais parecem
retiradas de um filme de terror, parece que todos, TODOS,
estão paralisados por uma espécie de letargia que os impede de
se indignar.
Temos uma bancada de vereadores que possui, entre
seus membros, pessoas advindas da área da saúde, tanto na situação
quanto na oposição; o apelo que faço através deste artigo
é para que independente da agremiação partidária a que
pertençam, convoquem,com o apoio de seus pares, o titular da
pasta responsável para que explique o que está acontecendo e
qual o seu planejamento estratégico para solução desta situação,
baseada em um cronograma de objetivos, com planos, metas e
prazos definidos para o enfrentamento desta que, na concepção
deste escriba, é a maior tragédia que vive a nossa população.
Neste que é o mês dedicado a todas as mães faço um
apelo e, neste caso sem o caráter meramente oposicionista, que
muitos teimam em apelar para a falta de bom senso, para que
todos os atores envolvidos, trabalhadores da saúde, que me fornecem
as informações com a esperança de que haja mudanças,
dos responsáveis pela gestão, dos legítimos representantes do
povo, os vereadores, o Ministério Público, o judiciário, a igreja
nas suas mais diversas representações e todos àqueles que se
sentem responsáveis pelo que acontece no seu entorno, para,
juntos lançarmos um basta a esta situação absolutamente incompatível
com o nível de civilização atingido por nós, para que
possamos exorcizar a volta da barbárie em nosso meio.

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