Psicoterapia com vistas à terceira idade

Postado por Ricardo Correia de Meneses / Jornal Lajedo Hoje
01 de Junho de 2010

Esta é uma preocupação muito frequente nos pacientes de psicoterapia. Por exemplo, eu fiz psicoterapia pessoal cognitiva por dois anos e mais dois anos de psicoterapia didática, além de ter trabalhado com supervisão por 800 horas. Creio que o tempo foi razoável, todavia, se fosse maior teria sido melhor.
Tenho atendido a pacientes de outros terapeutas que estão em terapia por mais de 15 anos. E não é de admirar, pois o profissional, não receitando remédios, cria certa dependência pessoal difícil de livrar-se dela. Receitando remédios a dependência ou necessidade seria do medicamento.
O transtorno psicológico muitas vezes tem origem na concepção, evoluindo pela primeira infância até em torno dos sete anos de idade, porém, pode ser uma reação a um acontecimento recente na idade adulta.
Quando se trata de uma doença orgânica como uma infecção, tudo bem, o tratamento é geralmente curto, os antibióticos resolvem. Para outras doenças pode não ser assim. Vejamos, uma pessoa procura um médico para fazer um exame anual de rotina e descobre que é diabético, terá de fazer tratamento para o resto da vida. Muitas doenças são assim e quem não acredita está correndo um grande perigo.
Outras vezes tem necessidade de se submeter a uma revascularização do coração, o que não é nada fácil, o problema poderá ser corrigido, porém. O controle também será para a vida toda.
No caso da psicoterapia, como a cognitiva, poderá durar pouco, salvo aquelas em que a dependência afetiva do psicoterapeuta, por falta de alguma correspondência na família, torne-se uma necessidade do paciente.
A psicanálise tem um padrão de demora razoável a partir das análises de Freud.
Muitos pacientes procuram no psicoterapeuta alguma fórmula mágica, leva um pacote de problemas, entregando-o ao profissional e este que se vire para resolvê-los, como se fosse uma mágica.
Outros procuram o terapeuta para medir forças com ele, porque pensam que sabe mais do que o profissional. Ainda tem os que agem como se o psicólogo fosse uma espécie de adivinho. O paciente está pagando para saber o que tem e estamos conversados.
A assistência psicoterápica depende de poucos testes e quase nada de laboratório, mas se algum exame for necessário deve ser solicitado por um médico, assim manda a praxe.
Algumas tarefas são solicitadas para que sejam realizadas nos intervalos das entrevistas psicoterápicas. Por exemplo, um paciente sofreu um desastre de automóvel e ficou com pavor de dirigir. O Psicólogo vai tentar reduzir a angústia tomando como ponto de partida a estatística, se todo mundo que sofreu um acidente deixasse de dirigir, certamente voltaríamos ao tempo das carroças. O paciente será encaminhado a uma escola para condutores de veículos motorizados especializada para esses casos. Se essa tarefa não for realizada o tratamento será retardado e talvez o problema não seja resolvido.
Muitas pessoas tem vícios relativos a hora de dormir, vão para a cama muito tarde porque estão viciadas no computador, na televisão etc. e procuram ajuda com a queixa de insônia. Feito o levantamento do tempo dormido descobre-se que ele é compatível com a média geral da população.
O terapeuta passa exercícios para resolver o problema, mas estes, muitas vezes, não são realizados.
Talvez não fosse indicada a terapia, mas assistência numa clínica especializada em transtornos do sono.
A mesma coisa acontece com as queixas de dores crônicas de cabeça, dores durante o ato sexual ou mesmo hipersensibilidade à dor porque com tantos medicamentos modernos o homem não teria de sofrer tanto.
Em boa parte das vezes encontramos componentes histéricos associados à hipersensibilidade álgica.
Esses pacientes esquecem que a dor é um sinal de alerta importante para muitos diagnósticos. Em função disto hoje existe uma especialidade médica relacionada à dor, quase sempre exercida por anestesistas.
A ocorrência desses problemas no consultório de psicoterapia aumenta o tempo de terapia dando a impressão que não vai acabar nunca.
O paciente faz um contrato com o terapeuta com entrevistas duas vezes por semana, podendo com a evolução do caso, passar apenas para uma vez no período. A evolução é muito lenta e às vezes pouco valorizada. A tentação de faltar é muito grande, principalmente quando leva o nome de consulta.
Para evitar o prolongamento desnecessário deve ser negociado com o cliente o tempo que será gasto, trabalhando ou não, mesmo porque o psicoterapeuta não terá como ocupar o tempo reservado, portanto, fica ocioso.
Não é o que acontece, por exemplo, nos consultórios médicos cujo atendimento pode ser por ordem de chegada, além do mais a consulta médica geralmente é mais rápida, enquanto a de psicoterapia leva em torno de uma hora.
Esses fatores devem ser considerados quando avaliarmos a duração de uma psicoterapia.

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