Ariano Suassuna do Erudito ao Popular
Postado por Wilson China / Jornal Lajedo Hoje01 de Junho de 2010
No último dia 19 de maio, Lajedo vivenciou o carisma e o talento do escritor, teatrólogo, dramaturgo e professor, Ariano Vilar Suassuna, que por duas horas consecutivas mostrou toda riqueza criativa dos poetas líricos e populares do nordeste brasileiro na Aula-Espetáculo: A CADÊNCIA, O CASTELO E A CANTORIA.
O mestre Suassuna, com descontração falou na preocupação com os jovens ao ouvirem músicas de má qualidade, e citou trecho de uma musica da Banda Calypso, que diz: Pra me conquistar/você tem que suar/pra me conquistar/você tem que rebolar, oh, oh,oh,oh, (Risos). Em seguida chamou ao palco o instrumentista, Antônio Madureira, que interpretou uma canção de sua autoria na viola de dez cordas, cujo tema foi em cima dos violeiros repentistas, também se apresentou o violinista Sérgio Ferraz, que ao som de seu violino tocou uma música no estilo Armorial, composição própria, usando as músicas apresentadas como exemplo, Ariano, fez uma comparação do que é musica de 1a categoria e a de 4a categoria, como assim denomina o mesmo, a música ruim.
Dando prosseguimento a aula, Ariano Suassuna, chamou Oliveira de Panelas, grande menestrel paraibano, considerado um dos maiores ícones do repentismo no Brasil, o vate cantador dedilhando a sua inseparável viola nordestina fez um improviso sobre o mote, Eu não troco meu oxente pelo I Love you de seu ninguém, com essa apresentação o professor Suassuna quis mostrar o quanto é bela a música popular nordestina, e o valor que tem o poeta cordelista no mundo da poesia, e que devemos valorizar a nossa gramática, esquecendo a mania que temos de achar que tudo que é estrangeiro é melhor que o nosso.
Durante sua passagem aqui em Lajedo, Ariano jantou na casa do Dr. Antônio José Dourado juntamente com sua esposa, e nos concedeu uma entrevista. Acompanhe suas declarações:
JLH - Sendo o senhor Paraibano, como vê em geral a Cultura Nordestina?
ARIANO SUASSUNA - A meu ver o nordeste é uma grande unidade cultural, e tem a sua diversidade, veja, por exemplo, o estado de Alagoas, a manifestação cultural importante lá é o Reisado, você vai a Paraíba é dança de Marujo ou a Marujada. Já aqui em Pernambuco temos o Maracatu Rural, a Banda de Pífanos você encontra do Piauí até a Bahia, então o Nordeste é um grande centro cultural de grande importância para o Brasil.
JLH - Na literatura qual a sua preferência, o teatro ou o romance?
ARIANO SUASSUNA - Eu digo sempre que no campo das artes não existe uma superior a outra, as artes se sentam em mesa redonda, se você olha as artes, por exemplo, no campo da Literatura, e olhar no ponto de vista da pureza, a poesia é superior ao teatro e ao romance, mas no ponto de vista da comunicação humana, o Romance ganha para poesia, agora comparando o romance para poesia, o Romance tem uma vantagem, no teatro você tem uma limitação do tempo, onde uma peça dura mais ou menos duas horas, no Romance você pode se estender porque quando o leitor estiver cansado ele para e volta a ler novo, esta é uma vantagem entre o Romance e o Teatro, mas o Romance também tem uma desvantagem em relação ao teatro, eu escrevo romance e escrevo teatro, eu tenho pessoa que me diz que leu o romance a Pedro do Reino, a leitura de um romance é algo solitário, por mais que ele me diga que gostou, eu não tenho como provar se realmente ele gostou, mas no teatro é diferente, eu posso me sentar no meio do publico e ver a reação, o que é muito bom para o escritor.
JLH - Dentre as suas peças qual a de sua preferência?
ARIANO SUASSUNA - Eu tenho muito respeito pela opinião popular, na opinião popular ganha disparado, o Auto da Compadecida, mas não é a minha predileta, a minha predileta é a Farsa da Boa Preguiça, mas respeito muito o meu público e sei que eles não podem estar enganados.
JLH - Como o senhor avalia a adaptação da Pedra do Reino pela Rede Globo?
ARIANO SUASSUNA - Eu já tive quatro trabalhos adaptados pela Rede Globo: Uma Vestida de Sol, A Farsa da Boa Preguiça, o Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, o gosto popular se inclina direto, pelo Auto da Compadecida, A Pedra do Reino não foi muito bem aceito, e eu avisei ao autor disso, o meu grande amigo Luiz Fernandes, e falei para os diretores da Globo, esse não vai ser como o Auto da Compadecida, porque a Pedra do Reino, é um romance muito mais complicado, eu faço uma comparação entre esse o Auto e Pedra. O Auto da Compadecida fez mais sucesso, agora por minha visão de autor a Pedra do Reino teve mais êxito, porque artisticamente é muito mais bonito.
JLH - Quais os seus planos como autor para o futuro?
ARIANO SUASSUNA - Estou escrevendo um romance, eu sou conhecido mais como dramaturgo, menos como romancista e como poeta eu sou praticamente desconhecido, então nesse livro que eu estou fazendo, tentando reunir, meu teatro, meu romance, minha poesia, se eu conseguir terminar como eu penso, vai ser o livro da minha vida.
JLH - Como o senhor se sente recebendo hoje, o título de cidadão lajedense?
ARIANO SUASSUNA - Eu vou receber? Não sabia não, (Risos) eu estou vendo que estou em terra de Rubro Negros. (Risos). Agradeço ao vereador Potó pela iniciativa e já era lajedense por estreitamento de amizades, agora sou conterrâneo de todos os meus amigos.


*Fotos: Raoni/JLH









