Entrevistado do mês: Walter Japearson, Secretário de Saúde
Postado por O Jornal02 de Agosto de 2010
O Jornal entrevistou o secretário de saúde da cidade, Walter Japearson Mendonça Filho, que apresentou dados de sua gestão, expôs projetos para o futuro, se defendeu de algumas críticas, explicou o que mudou na saúde pública após a visita do CREMEPE, esclareceu dúvidas da população e prometeu algumas mudanças para melhor servir o lajedense. Confira abaixo:
O JORNAL – O CREMEPE esteve no Hospital e fez severas críticas ao modo como este está funcionando. O que mudou após essa visita?
WALTER JAPEARSON - A gente foi pego de surpresa com a visita deles. Já tinham vindo aqui outras vezes, mas o que me aborreceu e a gente nem quis se pronunciar, pois eles foram muito infelizes. Não me chamaram para acompanhar a vistoria. Afirmaram uma série de inverdades sobre o hospital. Disseram que só funcionava até as 22h. Que não tinha médicos. Que faltavam equipamentos. Isso não é verdade! A população sabe que não é. Eles foram infelizes. Até o número de habitantes da cidade eles erraram.
O JORNAL – A população reclama bastante do sistema de marcação de consulta. É comum a gente presenciar um aglomerado de pessoas esperando para pegar ficha. O que será feito para modificar essa realidade?
WALTER JAPEARSON - Em outra gestão do hospital já foi tentado um sistema de marcação de consulta antecipada, mas não deu muito certo. A própria população recusou isso. Hoje em dia o hospital só funciona para emergência e a unidade para consultas, tendo também o apoio das USFs para a população. O fluxo é bem menor e as filas diminuíram consideravelmente.
O JORNAL – De que forma as USFs servem para desafogar o hospital?
WALTER JAPEARSON - Hoje temos sete USFs funcionando na cidade. O prefeito está investindo muito em saúde. Em dois anos saímos de três para sete unidades da família. Todas elas com médico, enfermeiros, dentistas, vacinação... Temos seis equipes trabalhando com saúde bucal. É tratamento dentário de qualidade. Quem não morar próximo de alguma USF pode ir para o ambulatório
ao lado do hospital. Temos atendimento diário de dentista. É tratamento de verdade, não é só extração. O único que ainda não tem esse tratamento é o do Bom Jesus, por falta de espaço, mas que ainda este ano terá. Ampliaremos aquela unidade. Santa Luzia, Imaculada, Olho d’água, Planalto, Poço, Bom Jesus e Bairro Novo. A população dessas localidades já pode utilizar dessas unidades ficando o hospital só para emergência e encaminhamento dos médicos dessas unidades. A atenção primária da comunidade está sendo feita. Isso é vital para a população.
O JORNAL - Quais os projetos para o futuro da saúde na cidade?
WALTER JAPEARSON - Iremos implantar mais uma unidade de saúde da família. Já temos uma cobertura de 70% e iremos para mais de 80%. Temos um grande projeto para o hospital, com ampliação do bloco cirúrgico, enfermarias, sala de urgência. Uma ampliação no todo. Aquisição de equipamentos. Em breve instalaremos o NASF (Núcleo de apoio ao saúde da família) e o CAPS (Centro de Atenção a pessoas com doenças psíquico-sociais) na cidade. Teremos também um saneamento ecológico a começar pelo bairro do Planalto. Grandes feitos serão realizados na saúde. Estamos investindo muito nessa área. Ainda este ano iremos implementar uma Unidade de Saúde da Família no Loteamento Vilela.
O JORNAL – Nós recebemos várias denúncias de que o hospital estaria sendo fechado às 00h. Qual a razão deste procedimento? O hospital não deveria ficar aberto 24 horas? E os médicos por que não dão as 24 horas do plantão?
WALTER JAPEARSON - Está errado. Se o hospital está sendo fechado está errado! Eu já reclamei com os funcionários e isso não está acontecendo. Hospital precisa estar aberto e com luzes acessas durante as 24 horas do dia. Dou minha palavra que isso não vai mais acontecer. Agora é preciso que a população nos comunique dessas infrações. Que nos digam a hora e o dia em que isso ocorre para podermos chegar até o funcionário que está fazendo isso. Esse problema será solucionado sim. Já com relação aos médicos é complicado. Já estou, inclusive, realizando algumas trocas de plantão para melhor atender a população. Com essas mudanças o espaço vago será menor. O problema é que não temos médicos suficientes. Todos os médicos vem dar plantão aqui já vindo de outra cidade e quando saem já vão para outro município. É difícil. Se a gente não aceitar o médico assim, fica sem médico. Quem for médico ou conhecer algum que queira trabalhar e dar as 24 horas aqui em Lajedo está contratado agora.
O JORNAL - Na gestão passada de Pedro Melo, o paciente tinha direito a lanche e viajava com carros bancados pela secretaria. Por que o lanche e o transporte diário foram cortados?
WALTER JAPEARSON - O paciente já recebe uma quantia pelas viagens. A chamada ajuda de custo. O transporte é uma contrapartida que a prefeitura dá. A gente não tirou o transporte, apenas adequamos ele. Hoje a gente continua tendo o transporte, mas apenas alguns dias na semana, de acordo com a lotação.
* Foto: TIAGO BARBOSA / OJ IMAGEM.

