Discurso da Srª Adolfina Pacheco

Postado por Portal Lajedo
26 de Setembro de 2011
Vivemos uma época que pede resgates urgentes. A simplicidade, a capacidade de encanto
e admiração, o olhar receptivo para se alimentar com belezas aparentemente corriqueiras,
que precisam ser também prioridade. Não há mundo novo sem respeito ao melhor do antigo.

Naquele dia comum, recebi a visita de um rapaz que, apesar de sua pouca idade e terna
educação, ainda tinha medo de tirar os pés do chão. Distraído, acompanhava as estrelas
sem perceber que nas flores ele pisava.

Saberia ele decidir onde ficar? Pois se perdia ao tentar se encontrar.

Em suas mãos, vários papeis sobrevoavam sua mente como passarinhos que no ar viviam
e na terra também se aninhavam. Viu a vida acontecer acima e abaixo do horizonte que trilhava.
E depois de tanto adoecer os olhos com tristezas e muito trabalho, noites insones,
andadas, muitas vezes à toa, por não ser ouvido, tratou de cuidá – los com poesia, na terra
em que depositava sua fé e o seu amor: LAJEDO!

Estava a frente dos meus olhos, o amor que lhe lembrou das verdades esquecidas pela
mente de muita gente, mas sabidas desde sempre pelo seu coração: Que a vida é feita de
esquinas de muitas cores. Que caminhar é escada de degraus infinitos. Que quando se dá
um passo em  direção a Existência Divina, ela dá mil na nossa direção. Que as vezes a
gente ensina aquilo que mais precisamos aprender. E que amanhecer, buscar e encontra
são atributos do espírito.

Soprou alto tudo aquilo que viu e queria mostrar o que aqui se viveu. E sentiu que podia
ele andar leve no verde e beber do azul. Era ele filho da vida. Os caminhos todos lhe eram seus.
As bênçãos todas lhe eram suas. Ele é de LAJEDO.

Com asas que muito se machucaram, sabia que as cicatrizes iriam desaparecer no amanhã.
O céu lhe pertencia. Arriscou. Se entregou. Voou.

Voltando a memória acho fantástico perceber com ela consegue pescar sensações e
sentimentos lá nas águas do passado e traze- los para o instante presente. Foi o que tentei
fazer para entregar a Paulo Henrique, o pouco que sei. Por mais que o rio flua, o tempo
não passa no coração, é o que sinto. A memória faz com que coisas que aconteceram há
décadas sejam revisitadas com um frescor tão bom que parecem ter ocorrido nesse instante.

A memória não sente calendários, embora os saiba. A ajuda dessa maravilha só pode ser suprema.

Há algo em mim que não desaprende esse caminho. Que segue quando aparentemente, eu paro.
Que continua a luzir, mesmo quando eu tropeço nas minhas sombras. Há algo em mim que
me leva pela mão para brincar, com saudades, é claro, para reconhecer o que
continua vivo e belo além de toda e qualquer situação limitada. Algo que me mostra uma paz intensa e verdadeira.
Que não me deixa esquecer que continuo a ter asas, mesmo quando eu não voou. A memória, de alguma forma, me ajuda a lembrar de tudo isso,
porque nunca desfaz a mesa onde eu posso me alimentar, sobretudo quando mais preciso, com lembranças perenes de amor.

Ao olhar para PAULO HENRIQUE, com a sede de receber esclarecimentos, senti a presença de muitas pessoas.
Não teria chegado aqui da mesma forma, sem elas. Gente da minha família de sangue, da sua família, da nossa família.
Gente da família que o nosso coração cria vida afora. Gente que encontrei em algum ponto do caminho.
Muitas me ajudaram se sequer perceber. Recebi em diversos momentos, a dádiva de gestos de cuidado e amor que fizeram toda a diferença.
Mesmo os mais singelos foram providenciais: sorrisos, olhares, escutas, abraços, palavras, silêncios compartilhados.
Era a hora de retribuir de agradecer e colocar em novas mãos a verdadeira história de nossa terra.
Vieram contos, gravações, canções, retratos pardos e desgastados pelo tempo e muitos escritos.
Paulo Henrique sentou – se a margem do rio para observar; silenciosamente, os sutis movimentos da paisagem que o acolhiam.
Tomou em suas mãos cascalhos e pedras, analisando uma a uma como se pensamentos fossem,
separando aquelas que enegreciam suas águas com limo e sujeira, ou a destoar sua elegância, daquelas outras que compunham harmonia,
deixando a correnteza levar o resto que não servia. Sabia ele que o riacho era na verdade um rio profundo, como também que entre a lama e o limo, escondia o rio, grandes tesouros.
Removeu entraves. E assim, aprendeu a nadar. Limpou esse rio e construiu pontes; ajeitou seu leito
que não era mais de morte e bebeu a vida, daquela mesma água, alimentando pássaros, céus e sementes.
E quem mais viesse.

E veio a água limpa e transparente, e outras pessoas.
Com inteligência, persistência e coração, Paulo Henrique lhes oferta hoje: “Lajedo – Uma Emocionante História de Lutas Conquistas e Glórias”.
Parabéns é pouco. Que o sucesso seja uma constante em sua vida e, que esse livro, simbolize o primeiro de tantos outros que virão.
Agradeço a honra de participar desta solenidade e acima de tudo assistir a sua magnífica estréia
como o mais novo escritor lajedense, dentre tantos outros maravilhosos aqui presentes.

Parabenizo também o Café Cultural Professor Vilaça, pelo seu 2º aniversário
como também pelo continuo enriquecimento cultural em nossa cidade.

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